A autora de  "A cama na varanda", "Na cabeceira da cama" e "Conversas na varanda", ed. Rocco, fala de sua vida profissional:

Depois de toda uma vida em contato com as mais diversas versões de se sentir e viver o amor e o sexo, não foi difícil concluir que os dois juntos estão entre as maiores fontes de sofrimento humano, o que aumentou ainda mais meu interesse pelo assunto.

Trabalho em consultório há vários anos, fazendo terapia individual, de grupo e de casais, atendendo clientes com idade variando entre 13 e 80 anos. Durante os muitos anos em que fui professora de psicologia do curso de Comunicação Social da PUC-RJ, convivi intimamente com jovens na faixa dos 20 anos. Através das discussões em sala de aula e das dinâmicas de grupo que coordenei, foi possível conhecer o que eles pensam e o que desejam no amor e no sexo, seus medos e suas dúvidas.

Nas palestras que faço no Rio e em outros estados, reservo sempre um tempo para ouvir as pessoas, além de coordenar workshops onde as discussões se aprofundam. A faixa de idade, nesse caso, varia de 25 a 55 anos. Em vários cursos da chamada terceira idade, também fiz inúmeras palestras. Saber o que pensam as mulheres que se casaram antes do surgimento da pílula anticoncepcional contribuiu bastante para o trabalho.

O programa Sexcidade, que apresentei por dois anos na Rádio Cidade, permitiu o contato com as questões dos jovens a respeito do amor e do sexo. Meus ouvintes moravam em diferentes bairros do Rio — da zona sul ao subúrbio —, e também em outras cidades do estado.

Na coluna Conversa Íntima, que assino, quinzenalmente, aos sábado na revista Vida, do Jornal do Brasil, fico sabendo, através de e-mails dos leitores, como estão sendo recebidas as idéias que divulgo, as críticas e elogios de que são alvo. Além de receber relatos de dificuldades pessoais, com a solicitação de uma palavra de apoio.

O site Cama na Rede conta com toda essa experiência, que me habilitou a discutir a relação afetivo-sexual. São pouco convencionais as idéias expostas aqui. Entretanto, refletem minha visão das relações amorosas e sexuais nos dias de hoje, e o que acredito sejam as novas possibilidades para um futuro próximo. É possível que os mais conservadores se choquem. Não é esse o meu propósito, mas sim levantar a discussão a respeito de princípios que continuam arraigados ao nosso comportamento, gerando sofrimento e culpa.

É preciso entender por que tantos vivem tão insatisfeitos afetiva e sexualmente e mesmo assim se apegam aos hábitos já conhecidos, rejeitando o que é novo. Estamos em processo de mutação na história da humanidade, mas só vamos perceber as transformações quando ele for concluído. E pode ser que ainda demore algumas gerações, embora já seja possível entrever os sinais.

Não há dúvida de que valores estabelecidos como inquestionáveis no que diz respeito ao amor, ao casamento e ao sexo estão perdendo a importância. Os modelos do passado não dão mais respostas e a falta de novas alternativas que sirvam de apoio causa ansiedade e forte sentimento de desproteção.

Contudo, acredito que, passado o susto inicial, todos vão perceber que o mundo mudou muito nos últimos 30 anos. Não é mais necessário modelos, mesmo porque são impostos e só servem para impedir nossa expressão individual, nos tornando todos parecidos. Sem eles temos chance de criar maneiras diferentes de viver e também de experimentar sensações que nem sabemos existirem.

Neste site, assim como em todo o meu trabalho, o objetivo é contribuir para a mudança das mentalidades e, conseqüentemente, para que as pessoas vivam com mais prazer. Conto com vocês.